Setor imobiliário registra crescimento de 59% nas vendas e avanço expressivo nos lançamentos em Fortaleza e Região Metropolitana

O mercado imobiliário de Fortaleza e da Região Metropolitana (RMF) continua operando em ritmo acelerado e superando as expectativas mais otimistas para o ano de 2026. O balanço do mês de abril, divulgado pela Comissão de Pesquisas (CPES) do Sinduscon Ceará, revela que o setor mantém a robustez vista no ano anterior, impulsionado tanto pelos programas de habitação econômica quanto por um aquecimento histórico no segmento de alto padrão e altíssimo luxo.

Crescimento acima das projeções e força do setor econômico

Após um ano de 2025 considerado "o ano da década" para a construção civil cearense, as projeções iniciais para 2026 apontavam para uma estabilização com crescimento moderado em torno de 5%. No entanto, os números acumulados de janeiro a abril surpreenderam os próprios líderes do setor.

O Valor Geral de Vendas (VGV) acumulado de imóveis vendidos em Fortaleza registrou um impressionante crescimento de 59%, saltando de R$ 1,72 bilhão no primeiro quadrimestre de 2025 para R$ 2,73 bilhões no mesmo período de 2026. Na Região Metropolitana, o VGV vendido cresceu 16%, alcançando R$ 689,6 milhões.

De acordo com Patriolino Ribeiro Neto, presidente do Sinduscon Ceará, o desempenho reflete a pujança do mercado local, com forte tração do segmento econômico: "Muito disso é em função do setor econômico. O setor econômico, justamente por ter taxas atrativas e ainda o subsídio do governo federal, faz com que essas famílias consigam conquistar o sonho da casa própria. É um momento espetacular porque você tem taxas boas, a partir de 4% ao ano, e ainda tem um subsídio de até R$ 50 mil", explica.

O fenômeno do altíssimo luxo e a "Dubai do Nordeste"

Se o Minha Casa Minha Vida garante o volume de vendas na base da pirâmide, o topo do mercado está registrando cifras inéditas para o estado. A procura por imóveis de alto padrão e luxo surpreendeu as incorporadoras, com destaque para os lançamentos compactos e de alto luxo na Avenida Beira-Mar, cujos valores já superam a marca de R$ 23 mil por metro quadrado e registram velocidade de vendas recorde.

Essa transformação urbana e o apetite dos investidores foram destacados por Mozart Farias, diretor de comunicação do Creci Ceará. Segundo ele, o perfil das propriedades de luxo no estado mudou de patamar, atraindo inclusive compradores de fora do Ceará. "Nunca tinham sido vendidas casas, por exemplo na Região Metropolitana como o Eusébio, de R$ 12 milhões, R$ 18 milhões. Isso era um número que, há poucos anos, seria praticamente impossível de acontecer. E hoje já é uma realidade", explica Mozart Farias, que como exemplo desse dinamismo, citou que na Cidade Alfa (núcleo urbano da Alphaville no Eusébio) registrou a venda de 50 casas apenas no último mês como corretor de imóveis.

Farias aponta que a renovação da orla de Fortaleza, apelidada de "Dubai do Nordeste", reposicionou a cidade no cenário nacional. Antigos hotéis e prédios tradicionais estão dando lugar a empreendimentos modernos com infraestrutura diferenciada. Diante da volatilidade dos mercados financeiros, muitos investidores estão migrando seus recursos para a solidez dos imóveis. "A pessoa tira o dinheiro do mercado financeiro e traz para a consolidação no mercado imobiliário", explica o diretor do Creci Ceará.

Eusébio e Caucaia lideram a expansão horizontal

Na Região Metropolitana, a tipologia horizontal (condomínios de casas e loteamentos) dita o ritmo do crescimento. O município do Eusébio consolida-se como o grande polo de residências horizontais de médio e alto padrão. 

No balanço geral de vendas por município em abril de 2026, a distribuição total de unidades vendidas (somando residencial vertical, horizontal e comercial) ficou assim configurada:

    Fortaleza: 956 unidades

    Caucaia: 634 unidades

    Eusébio: 179 unidades

    Maracanaú: 119 unidades

    Aquiraz: 67 unidades

O Índice de Velocidade de Vendas (IVV) de abril acompanhou o otimismo, fechando em 7,9% em Fortaleza e expressivos 13,8% na Região Metropolitana, demonstrando que o estoque está girando de forma saudável.

Olho no cenário macroeconômico

Apesar dos ventos favoráveis e do melhor primeiro quadrimestre dos últimos anos, a diretoria do Sinduscon Ceará mantém a cautela e monitora de perto as variáveis macroeconômicas. A expectativa do setor era de uma flexibilização mais agressiva dos juros no país.

"A gente fazia uma projeção que a taxa Selic chegasse no final do ano a 12% ou até um pouco menos que isso, e ela só caiu 0,5% por enquanto", pondera Patriolino Ribeiro Neto, que também citou a necessidade de maior previsibilidade e calma no cenário geopolítico global, mencionando os reflexos de conflitos internacionais como as tensões envolvendo o Irã.

Mesmo com os desafios macroeconômicos, a forte sinergia entre quem constrói e quem vende — fortalecida pela parceria entre Sinduscon e Creci — sinaliza que o mercado imobiliário cearense está maduro, resiliente e pronto para fechar 2026 com mais um resultado histórico.

Publicado por Mirelle Costa em 05 jun 2026