
O mercado imobiliário de Fortaleza e da Região Metropolitana segue em trajetória de crescimento e consolidação, com indicadores que apontam não apenas expansão, mas também maior equilíbrio e maturidade do setor. Dados divulgados pela Comissão de Pesquisas do Sinduscon-CE mostram avanço significativo no Valor Geral de Vendas (VGV) e no número de unidades lançadas em fevereiro.
No período, o VGV alcançou R$ 1,4 bilhão, superando com folga o resultado registrado no mesmo mês do ano passado, quando o indicador somou R$ 821 milhões. O crescimento reflete o fortalecimento da atividade imobiliária e o aumento da confiança de investidores e consumidores no mercado local.
O número de lançamentos também apresentou alta expressiva. Foram 3.283 unidades lançadas em fevereiro, frente às 1.771 unidades registradas no mesmo período de 2025. O dado reforça a retomada do ritmo de novos empreendimentos e indica um cenário de maior dinamismo na construção civil cearense.
No acumulado de 12 meses, o volume de vendas superou o de lançamentos: 3.817 unidades comercializadas contra 3.480 lançadas. Esse equilíbrio evidencia uma demanda consistente, capaz de absorver a oferta e reduzir pressões de estoque, contribuindo para a estabilidade do setor.
Outro destaque é a valorização dos imóveis. O preço médio do metro quadrado em Fortaleza chegou a R$ 11.557 em fevereiro, refletindo tanto a demanda aquecida quanto os custos elevados da construção civil.
Para a segunda vice-presidente do Creci Ceará, Adriana Neves, os números confirmam a força e a resiliência do mercado local.

“Eu considero o nosso mercado muito resiliente. Mesmo com desafios como a taxa Selic elevada, o Ceará continua crescendo, tanto em vendas quanto em número de unidades. Fortaleza e a Região Metropolitana seguem muito fortes, e isso mostra a capacidade de adaptação e criatividade do nosso mercado”, destaca.
Segundo ela, o amadurecimento do setor é um dos principais fatores por trás desse desempenho positivo. “Hoje existe uma maior integração entre construtores, corretores e consumidores. O mercado está mais alinhado, mais consciente. O consumidor entende o imóvel como um patrimônio sólido e seguro, especialmente após a pandemia, o que fortalece ainda mais a demanda”, explica.
Adriana Neves também ressalta o protagonismo de regiões em expansão, como Caucaia. “Áreas como Caucaia e o litoral, especialmente o Cumbuco, têm se destacado com novos empreendimentos, hotéis e condomínios. A região vem atraindo cada vez mais moradores e investimentos, ampliando o alcance do desenvolvimento imobiliário”, afirma.
O cenário reforça o papel estratégico do setor imobiliário para a economia cearense. Com forte capacidade de geração de empregos e encadeamento com diversas atividades, a construção civil e o mercado de imóveis seguem impulsionando investimentos, movimentando o crédito habitacional e contribuindo para o desenvolvimento sustentável do estado.
Os dados foram apresentados pela Comissão de Pesquisas do Sinduscon-CE na última terça-feira, durante encontro que reuniu construtores e representantes do setor imobiliário, entre eles o Creci Ceará. A participação das entidades reforça a importância da integração entre os segmentos da cadeia produtiva para uma leitura mais qualificada do mercado imobiliário.
Publicado por Mirelle Costa em 26 mar 2026